Agronegócios

Revista Mercado Edição 41 - abril 2011

As oportunidades do agronegócio no Brasil

DA Redação com Mundo do Marketing

Atividade movimentou US$ 500 bilhões em 2010 e é responsável por colocar país no cenário internacional

Os campos do interior do Brasil não são mais sinônimo de atraso. Com o surgimento do agronegócio no país, há cerca de 30 anos, o segmento se modernizou, utilizando novas técnicas agrícolas, produção em massa e investimento em maquinário pesado. A cidade também mudou sua percepção em relação ao campo, embora prevaleçam ainda alguns estereótipos. Esses são dados da pesquisa “O que a cidade pensa do agronegócio”, realizada pelo Núcleo de Estudos de Agronegócios da ESPM, em conjunto com o Centro Avançado de Estudos da ESPM (CAEPM).
A atividade foi responsável por colocar o Brasil entre as lideranças das nações emergentes. Atualmente, o estado do Mato Grosso é responsável por 8% da produção de soja no planeta. No mundo, o agronegócio movimenta US$ 15 trilhões, dos quais o Brasil teve participação de US$ 500 bilhões em 2010. O total representa 25% do PIB nacional e supera o PIB de países como Suíça, Suécia, Bélgica e Argentina.
Há aspectos relevantes da atividade que podem ser levados em conta na criação de um plano de marketing, como a geração de empregos e o desenvolvimento que a atividade propicia, e a representatividade que o país possui no cenário internacional. Também há o fato de que sem o agronegócio o Brasil não poderia alimentar sua população urbana, opinião manifestada por 79,2% dos entrevistados.

Oportunidades do setor

Professor Luiz Tejon: “As pessoas conhecem o agronegócio, sabem que ele faz parte de uma cadeia produtiva, mas não se reconhecem dentro dela”

O estudo foi conduzido em duas fases, uma qualitativa, com grupos da classe C de São Paulo, e outra quantitativa, com membros da classe AB, em um evento da ESPM. As diferenças verificadas entre os segmentos de renda não foram significativas e os grupos reconhecem a importância econômica e social do agronegócio. Também afirmam que o meio oferece oportunidades de carreira, pesquisas e marketing.
Apesar do crescimento da atividade, tanto os consumidores emergentes quanto as elites ainda enxergam o agronegócio como algo distante de sua realidade, embora reconheçam sua importância. Para cerca de 66,3% dos entrevistados na etapa qualitativa, a atividade nunca foi vista como possibilidade de carreira. “As pessoas conhecem o agronegócio, sabem que ele faz parte de uma cadeia produtiva, mas não se reconhecem dentro dela”, explica o professor José Luiz Tejon, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Cabe ao Marketing das empresas ter uma visão estratégica do aproveitamento dos nichos deste mercado. Outro ponto de trabalho é demonstrar a viabilização dos negócios no “novo campo” brasileiro para investidores e o apoio ao micro e pequeno empreendedor.

Estratégias para além da “porteira”

“Agronegócio oferece boas oportunidades de emprego”

Para amenizar o hiato entre a cidade e o campo, as estratégias das empresas devem ser voltadas para uma conscientização do consumidor a respeito da cadeia produtiva. As companhias devem ter em mente que o seu target está nos grandes centros urbanos e, ao mesmo tempo, falar a língua desse público. “Não adianta apresentar números sobre exportação de grãos ou gado se esse tipo de assunto não faz parte da rotina do consumidor urbano”, afirma Tejon.
A preocupação deve ir além das questões relacionadas ao conhecimento. O que o cidadão urbano pensa do agronegócio também reflete no governo do país. A maior massa de votos pertence às áreas urbanas e a atividade é dependente da vontade política. Outro fator que corrobora para o fraco envolvimento da população urbana é a ausência de um plano de comunicação por parte das empresas e setores responsáveis.
Mesmo pensando dessa maneira, existe uma atitude muito positiva em relação à atividade. Um total de 83,1% acredita que o agronegócio oferece boas oportunidades de emprego em áreas como agronomia, veterinária e gerência agrícola. Já para 58,5% dos entrevistados, formas de cultivo e extração diferentes como agricultura familiar, indígena e o agrobusines podem coexistir sem atrito, embora a realidade seja outra.

Agronegócio movimenta economia local e internacional

Além da soja, o Brasil ainda ocupa a liderança nas vendas internacionais de açúcar, café em grãos e suco de laranja

O agronegócio gerou desenvolvimento em regiões que antes haviam sido abandonadas após o êxodo rural e trouxe representatividade para o interior do país. “A atividade permitiu o surgimento de cidades como Correntina e Barreiras, que não existiam no Brasil Central há cerca de 25 anos atrás”, comenta o professor.
O varejo local também é beneficiado pelos investimentos do agronegócio. Ele possibilita a criação e movimentação de mercados locais nos setores de serviços, comércios e transportes. Hoje, a maioria dos produtores não vive mais nas fazendas, mas sim nas áreas urbanas criadas pela atividade. Com maior acesso à informação, os filhos dos agricultores puderam se tornar os jovens investidores que movimentam a economia local.
Outro benefício gerado pelo segmento é o grande número de exportações. Além da soja, o Brasil ainda ocupa a liderança na vendas internacionais de açúcar, café em grãos e suco de laranja. O país também está na segunda posição nos segmentos de carne bovina, tabaco e etanol, conforme dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Segundo o órgão, entre janeiro e novembro de 2010, a atividade gerou um montante de US$ 70,3 bilhões somente em exportações.

Minas Gerais

Em 2010, o Produto Interno Bruto do agronegócio mineiro bateu mais um recorde, atingindo o valor de R$ 105,4 bilhões. O crescimento foi de 16,2% em relação ao ano anterior. Os dados foram divulgados no final de março pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. A pesquisa foi encomendada pela Faemg e pela Secretaria Estadual de Agricultura.
Com relação ao mercado externo, o levantamento mais recente mostra que a receita das exportações do agronegócio mineiro, nos últimos sete anos (2003 a 2009), quase triplicou, com um aumento de US$ 2,0 bilhões para US$ 5,6 bilhões, garantindo para Minas Gerais a quinta posição entre os estados exportadores brasileiros.
Os produtos do agronegócio mineiro foram exportados em 2009 por 501 empresas, sendo 55,1% micro ou pequenas, 39,3% de médio porte, e 5,6% de grande porte. Ao analisar os destinos das exportações, o Panorama mostra que a União Europeia recebeu 41,7% de tudo que foi exportado naquele ano pelo agronegócio estadual, o que equivale à cifra de U$ 2,3 bilhões.
Em níveis regionais, a região Sul de Minas respondeu por 47,6% do valor exportado pelo agronegócio do estado. Essa liderança é garantida pela produção de café. A receita em 2009 foi de US$ 2,9 bilhões, e o principal destino, a Alemanha. Já o Triângulo Mineiro ocupa o segundo lugar nas exportações do agronegócio estadual, com 25,4% do total, e nesse caso os resultados são impulsionados pelos embarques do complexo sucroenergético e de carnes. O estudo ressalta o valor alcançado pela exportação mineira de açúcar em 2009. Foram US$ 691,0 milhões.

“Triângulo Mineiro ocupa o segundo lugar nas exportações do agronegócio estadual, com 25,4% do total”

No caso da carne bovina, as exportações mineiras do ano passado atingiram uma receita de US$ 305,8 milhões, um aumento de 1.300% desde 2003. Ainda no grupo das carnes exportadas por Minas Gerais, a de frango também vem mostrando crescimento expressivo desde 2003. A receita gerada pela venda do produto teve crescimento de 397,1% nesse período, consequência principalmente do aumento dos embarques. As exportações do complexo soja, a partir do Noroeste e Triângulo Mineiro, polos de produção do estado, atingiram o valor de US$ 493,7 milhões, registrando crescimento de 81,6% em relação a 2008.