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Revista Mercado Edição 46 - outubro 2011

As “mulheres” do Odelmo

Por Margareth Castro

Sexo frágil, que nada. Na prefeitura de Uberlândia, quase metade das secretarias municipais são comandadas por mulheres que, alinhadas ao prefeito Odelmo Leão, são prova de que competência também pode estar de saia, batom e blush

Uberlândia, no Triângulo Mineiro, é a segunda maior cidade do interior de Minas Gerais. Foi, em setembro, o quarto município que mais gerou emprego; é a primeira cidade do estado e a segunda do país em saneamento básico; em 2009, foi eleita a cidade de melhor transporte público do Brasil; e recebeu também o prêmio “Destaque de Ouro”, na performance aterro sanitário. E esses são apenas alguns destaques do município, que está entre os que apresentam os melhores índices de desenvolvimento em território nacional. A conquista disso é o reflexo do trabalho do prefeito Odelmo Leão (PP) que, em seu segundo mandato, procura dividir com o seu secretariado os méritos do sucesso na sua administração. Mas chama a atenção o fato de que das 16 secretarias municipais, sete, quase a metade, são ocupadas por mulheres, escolhidas, principalmente, pela competência técnica, segundo define o próprio prefeito.
É perceptível a presença feminina na Administração Municipal de Uberlândia. Excluindo o segundo escalão, são seis as mulheres de Odelmo – uma delas acumula a direção de duas secretarias – à frente de cargos estratégicos. Diferentemente do que ocorre em outras prefeituras do país, onde elas são escolhidas normalmente para exercer cargos relacionados ao social, em Uberlândia, as mulheres estão em secretarias estratégicas. São comandadas pelo sexo feminino as secretarias de Governo (Ana Paula Procópio Junqueira), Comunicação Social e Estratégia (Ana Paula Procópio Junqueira), Administração (Marli Vieira da Silva Melazo), Desenvolvimento Social (Iracema Barbosa Marques), Agropecuária e Abastecimento (Valkíria Borges Naves Lorena), Cultura (Mônica Debs Diniz) e Meio Ambiente (Raquel Mendes Carvalho).
O prefeito Odelmo Leão enfatiza que sua escolha foi puramente técnica, mas ressalta que é uma característica dele ter sempre mulheres desempenhando funções estratégicas ao seu lado. “Desde o primeiro mandato, em 2005, tenho sempre trabalhado com as mulheres. Isso pela dedicação, competência, eficiência, zelo e responsabilidade delas na área profissional”, disse. Odelmo Leão completou dizendo que reconhece esses predicados femininos. “E onde pude contar com as servidoras públicas, aproveitei para mostrar que há uma valorização do seu dia a dia. Das seis secretárias, três são servidoras”, afirmou.
Para todas elas, a escolha do prefeito, muito mais do que estratégia política, é baseada na confiança e no respeito ao trabalho que elas realizaram ao longo de suas vidas. As secretárias concordam que é uma mudança revolucionária de comportamento, pois até 24 de fevereiro de 1932 as mulheres não votavam, embora concordem também que a presença do sexo feminino nas instâncias de decisão política deveria ser maior. Até 2009, no Brasil, as mulheres representavam apenas 9% da Câmara Federal e cerca de 12% dos assentos nas Assembleias Legislativas. Já nas Câmaras Municipais, eram 12%; e nos executivos municipais, 9%.
A primeira-dama, Ana Paula Junqueira, que acumula as secretarias de Governo e Comunicação Social e Estratégia, reforça que o prefeito sempre valorizou as mulheres e lembra que quando Odelmo Leão foi líder do governo na Câmara dos Deputados, em Brasília, por oito anos consecutivos, o gabinete da liderança era chefiado por uma mulher. E no escritório particular dele, Leila Guimarães era a chefe de gabinete “Com o Odelmo, a mulher tem vez, voz e toma decisões. Não há imposições. Com ele, elas podem discutir”, ressaltou.
No entanto, Ana Paula ressalta que a participação da mulher na política ainda precisa melhorar, já que elas são a maioria das eleitoras. No Brasil, nas últimas eleições, pouco mais de 70,3 milhões eram eleitoras, representando 51.82% do total de 135,8 milhões de eleitores. Em Minas, o porcentual de mulheres era de 51.33%, ou seja, 872,5 mulheres para um universo de 14,5 milhões de eleitores.
A polivalente secretária diz ainda que é contra a lei que determina um percentual de participação feminina nos partidos. Para ela, a mulher tem que ter consciência da importância de sua participação na política, sem a obrigatoriedade de participar. “É preciso gostar do que se faz, pois com amor faz-se bem feito”, acrescentou.

“Desde o primeiro mandato, em 2005, tenho sempre trabalhado com as mulheres. Isso pela dedicação, competência, eficiência, zelo e responsabilidade delas na área profissional”

Outras mulheres

O reconhecimento pelo trabalho das mulheres em seu governo é tão verdadeiro, que durante a entrevista, o prefeito Odelmo Leão citou duas mulheres cujas participações são relevantes para a administração municipal.

Viviane Guimarães de Oliveira

Viviane Guimarães de Oliveira, chefe do controle interno e servidora municipal há 19 anos, é responsável pela arrecadação e execução da administração, ou seja, é o órgão fiscalizador interno. “Eu não faço nada sem ela aprovar”, disse Odelmo Leão.

Leila Magalhães

A outra mulher citada pelo prefeito é Leila Magalhães, diretora de Administração da Secretaria Municipal de Saúde. Servidora pública federal, ela está há 20 anos com o prefeito. Ela mudou-se para Uberlândia há 18 meses, e é responsável pela área mais técnica da Secretaria de Saúde.
“Conheci o prefeito Odelmo Leão em Brasília e gosto de trabalhar com ele porque ele tem senso de observação, deixa metas claras”, observa Leila Magalhães.

Perfis: quem são as secretárias municipais

Ana Paula Junqueira, secretária municipal de Governo e de Comunicação Social e Estratégia

Ana Paula Junqueira é esposa do prefeito Odelmo Leão e tem uma filha de 19 anos desse relacionamento. Presidente do Partido Progressista (PP) em Uberlândia, tomou gosto pela política desde que começou a trabalhar na Federação de Agricultura de Minas Gerais (Faemg), já na área de assessoria de comunicação. “Gosto de política, dos bastidores, da organização. Mas trabalho apenas para quem gosto e em quem acredito”, disse.
No ano passado, surgiram comentários na cidade de que ela seria a sucessora do prefeito, o que ela descarta veementemente. “Não tenho pretensões políticas, não pretendo ser candidata a nada. Gosto das articulações. Foi um assunto que surgiu talvez por eu estar à frente da secretaria de Governo, mas que já passou”, explicou.
Tímida e com um jeito simples, diz que acumular as funções de primeira-dama do município e duas secretarias para ela é normal e que vê este como um trabalho como qualquer outro, que exige responsabilidade, compromisso, dedicação. “Das três funções, a que exerço menos é a de primeira-dama”, avaliou. Para ela, cada área tem a sua importância e peculiaridades.

“Das três funções, a que exerço menos é a de primeira-dama”

Marli Vieira da Silva Melazzo, secretária municipal de Administração

Na secretaria de Governo, Ana Paula é responsável por checar toda a documentação que chega à prefeitura antes de ir para o prefeito. A Secretaria é responsável ainda por integrar todas as outras secretarias, para que trabalhem em rede. “Faço a parte burocrática. O trabalho é uma rotina”, disse.
Já na Secretaria de Comunicação e Estratégia, Ana Paula ajuda a organizar as pautas e a fazer o meio de campo com a imprensa. Ela assumiu a pasta há cerca de um ano e meio e para os servidores que trabalham com ela, não poderia haver pessoa melhor para assumir a Secretaria. “Por ter acesso a todos os papéis que chegam à prefeitura e estar ao lado do prefeito, ela, mais do que ninguém, sabe o que acontece dentro da prefeitura e o que deve e como deve ser divulgado para a comunidade”, afirmou o jornalista Marden Rangel.
Ana Paula Junqueira nasceu em Varginha e criou-se em Caxambu. Formou-se em Relações Públicas pela Faculdade Newton Paiva, em Belo Horizonte, e depois de trabalhar na Faemg e com vários políticos, como Tancredo Neves e Alísson Paulinelli, foi trabalhar com o prefeito Odelmo Leão, na época, deputado federal, em Brasília. Há 16 anos veio morar em Uberlândia.
Mesmo com vários parentes na política, Ana Paula não acredita que isso a tenha influenciado a gostar de política e a trabalhar com ela.  “Sempre fui uma pessoa futriqueira, inquieta, que gosta de aprender as coisas”, justificou. Faltando pouco mais de um ano de mandato, ela diz que o principal desafio à frente das secretarias é concluir o que já está sendo feito da melhor maneira possível. Para quando terminar o mandato, ela também já tem planos. “Vou cuidar dos meus cavalos”, concluiu com uma risada.
Aos 72 anos, a uberlandense Marli Melazo sempre foi uma mulher à frente do seu tempo. Fez curso técnico de Contabilidade em uma época em que as mulheres faziam apenas o Normal; depois cursou a faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), sendo aluna da primeira turma do curso de Ciências Contábeis e Econômicas.
Marli Melazo começou a trabalhar antes dos 18 anos, aposentou-se como docente em junho de 1991, mas continuou sua rotina até decidir-se, em 2005, a ficar em casa e descansar. Mas, em 2006, recebeu o convite do prefeito Odelmo Leão para assumir a Secretaria de Administração e topou mais esse desafio, mesmo não sendo da política partidária. “Não tenho pretensões políticas, sou técnica, gosto de trabalhar”, enfatizou.
Apesar de ter desenvolvido uma carreira acadêmica, Marli Melazo sempre atuou na área contábil e financeira. Exerceu cargos administrativos, como chefe de departamento, coordenadora de curso, vice-diretora de faculdade, pró-reitora administrativa. Além da área pública, também tem experiência na iniciativa privada. Trabalhou por 15 anos em um laboratório de produtos farmacêuticos, 10 anos na Encol e 3 anos na faculdade Esamc, de Uberlândia. “O convite para assumir a Secretaria de Administração me pegou de surpresa, mas foi uma honra aceitá-lo”, disse.
Marli Melazo foi nomeada secretária em 7 de dezembro de 2006, ainda no primeiro mandato do prefeito Odelmo Leão, e depois foi convidada a permanecer no segundo mandato. Ela diz que a Secretaria exige conhecimento técnico e é uma Secretaria “pesada”, que atende toda a prefeitura em determinadas áreas. “A prefeitura tem entre 12 e 13 mil servidores, todos sob a responsabilidade da Secretaria. São várias diretorias e núcleos”, contou.

“Não tenho pretensões políticas, sou técnica, gosto de trabalhar”

Apesar de ter fugido aos padrões da época, Marli Melazo diz que não vê diferença de capacidade entre um homem e uma mulher, e enxerga o fato de ter sido escolhida para assumir a pasta com normalidade, pois isto se deu baseado em suas experiências profissionais. “Não sou feminista. Acredito que temos como ocupar os nossos lugares. Sempre soube o que queria e fui atrás. Temos que buscar nossas competências”, disse.
Além do número de servidores e obrigações junto à Secretaria, um dos maiores desafios da secretária é administrar um orçamento de aproximadamente R$ 67 milhões e com previsão em 2012 para R$ 74 milhões. Para ela, em todos esses anos como secretária, foram vários os desafios, entre eles regularizar, regulamentar e organizar o processo de gestão em várias áreas. Ao assumir, teve a liberdade para escolher as chefias de setores, mas preferiu manter as que já estavam e diz que o trabalho que realizou até agora só foi possível graças à equipe que tem, formada por pessoas de confiança, que têm ideais, objetivos. “Não tenho medo de propor, de discutir. Há liberdade para se chegar às melhores decisões”, completou.
Até o fim do mandato, Marli Melazo tem como meta terminar os projetos já iniciados, promover mais um concurso, que deve sair até fevereiro, fazer o reprojeto da área de compras, armazenagem e distribuição e ainda fazer o levantamento e organização de bens e imóveis da Diretoria de Patrimônio. “Quero deixar tudo organizado para o próximo que assumir”, admitiu, completando que a partir de 2013 pretende ficar quieta, curtindo sua aposentadoria.

Mônica Debs Diniz, secretária municipal de Cultura

Mônica Debs é natural de Araguari, mas sempre morou e estudou em Uberlândia. Formada em licenciatura plena em Educação Artística e com bacharelado em Música, foi professora e diretora do Conservatório Estadual de Música Cora Pavan Capparelli por 10 anos e sempre esteve em contato com a cultura da cidade.
À frente da Secretaria Municipal de Cultura desde o primeiro mandato do prefeito Odelmo Leão, filiou-se ao Partido Progressista (PP), mas afirma não ter nenhuma pretensão política, embora venha de uma família tradicional de políticos. “Sempre recebi convites para me filiar a vários partidos e agora decidi fazer parte de um grupo em que tenho contato com as pessoas e gosto do trabalho”, justificou.
A Secretaria de Cultura tem 26 anos de criação, e quando Mônica Debs assumiu, ela tinha um orçamento de 0,6% e passava por uma estruturação. Hoje, o orçamento é de quase 1%, cerca de R$ 12 milhões, e a Secretaria tem 300 servidores. Para Mônica Debs, o maior desafio em se trabalhar com cultura é estabelecer políticas públicas que tenham equilíbrio entre a classe artística e o poder público.

“Uberlândia é (…) onde as pessoas têm sede de cultura”

Iracema Barbosa Marques - secretária municipal de Desenvolvimento Social

Entre as realizações de sua gestão, estão a criação do Conselho de Cultura, o estabelecimento de programas que abrigam uma série de projetos, a realização da Conferência Intermunicipal e Municipal de Cultura, a restauração da Casa da Cultura e do Mercado Municipal, a digitalização do acervo da Biblioteca Municipal, a reforma do imóvel da Banda Municipal e vários outros. Além disso, ela destaca os dois ônibus-biblioteca e ressalta que Uberlândia é a única cidade que tem duas bibliotecas volantes.
Mesmo com todas essas realizações, os desafios até o fim do mandato não são poucos. Mônica Debs destaca o término das obras até novembro de 2012 do Teatro Municipal e a continuidade de projetos, como as Oficinas de Palco Móvel, que levam cultura aos bairros mais distantes da cidade, e o projeto Cinema para Todos. Segundo a secretária, o cenário cultural de Uberlândia é muito diferente do encontrado em 2005. “Uberlândia é uma colcha de retalhos dentro da área cultural, uma cidade surpreendente, onde as pessoas têm sede de cultura e onde a cultura ocupa espaços públicos”, concluiu.
Formada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, Iracema Barbosa teve contato com a área social ainda na faculdade, durante estágio na faculdade de Medicina e depois na Fundação Mendes Pimentel. Tomou gosto pelo social e mesmo tendo trabalhado alguns anos na sua área de formação, em veículos de comunicação, como o jornal Primeira Hora, onde foi repórter, e na TV Paranaíba, também como repórter e depois editora-chefe, foi na Secretaria de Desenvolvimento Social que se realizou profissionalmente.
Servidora municipal, Iracema Barbosa diz que o convite para assumir a pasta de Desenvolvimento Social foi um reconhecimento do trabalho que ela vem realizando há anos, já que atuou em todas as áreas da Secretaria. “É um reconhecimento e o que temos que fazer é devolver isso com trabalho”, completou.

Walkíria Borges Naves Lorena, Secretária Municipal de Agropecuária e Abastecimento

Filiada ao PP, a secretária diz que todo ser é essencialmente político e que é necessário participar da política partidária. Para ela, as mulheres precisam se conscientizar da força que têm, tanto na questão de população eleitoral quanto efetiva. Mesmo sendo uma pessoa engajada na política, Iracema Barbosa afirma que não tem pretensões políticas, porque gosta de atuar nos bastidores.

“É um reconhecimento e o que temos que fazer é devolver isso com trabalho”

Entre os desafios da pasta, Iracema Barbosa ressalta que suprir as demandas que surgem em uma cidade que cresce em grandes proporções é o mais difícil, mas diz que todo o esforço é gratificante quando se consegue mensurar os resultados. Exemplo disso são as mais de 30 mil pessoas que receberam qualificação profissional nestes seis anos de governo, por meio dos projetos sociais da Secretaria. Até o fim do mandato, pretende implementar outros três projetos, os quais não revelou, e diz que o maior desafio é concretizar e ampliar o  trabalho que já está sendo realizado com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas menos favorecidas. Quer terminar o mandato com a certeza do dever cumprido.
Para ela, o fato de o prefeito Odelmo Leão ter escolhido tantas mulheres para administrar a cidade juntamente com ele mostra o quanto é uma pessoa sábia e sensível. “Ele sabe que as pessoas que estão com ele são as que poderão trabalhar e dar uma resposta para o que ele exige, independente do sexo. “É um exemplo de político para o Brasil”, elogiou.
Walkíria Naves, Secretária Municipal de Agropecuária e Abastecimento, é o que se pode dizer a pessoa certa no lugar certo. Formada em Veterinária pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), natural de Indianópolis (MG) e filha de produtores rurais, ela sempre teve o pé na zona rural. E orgulha-se de conhecer e vivenciar as necessidades do homem do campo, o que, ela garante, ajuda muito no desenvolvimento de seu trabalho, no dia a dia e nas decisões que toma. “Sou técnica, política exige profissionalismo”, disse. Embora seja filiada ao PP há três meses, garante não ter pretensões de se candidatar a nenhum cargo político.

Walkíria Naves também tem experiência na área política. Foi secretária de Obras e Fomento na área rural em Bom Jesus de Goiás. Em 1994, veio para Uberlândia e prestou concurso para o cargo de médica veterinária, no qual passou em primeiro lugar. Trabalhou em praticamente todas as áreas da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento, como o Serviço de Inspeção Municipal (Sim), a Diretoria de Abastecimento e Inspeção e a Assessoria de Projetos. Assumiu o cargo em abril deste ano e acredita que o convite veio por trabalhar na área de projetos, ter conhecimento técnico e experiência na execução prática. “Na agricultura não se trabalha apenas com o produtor. Trabalha-se na cadeia produtiva”, disse.Em 2006, foi realizado um levantamento rural para conhecer o público da Secretaria. Agora, esse levantamento está sendo refeito para atualizações. “Esse é um grande desafio para a área, porque Uberlândia tem um desenvolvimento ímpar e a política pública para a zona rural é diferente”, disse Walkíria Naves. Segundo ela, o setor rural é muito dinâmico, muda constantemente, porque depende de mercado. “Precisamos acompanhar o campo, porque o produtor rural precisa de geração de renda, infraestrutura, agilidade, modernidade. Para o produtor rural, é preciso criar oportunidades e mostrar-lhe que há caminhos para o desenvolvimento”, explicou.

“O produtor rural precisa de geração de renda, infraestrutura, agilidade, modernidade”

Para conseguir implementar todos os projetos propostos, Walkíria Naves precisa administrar um orçamento de pouco mais de R$ 9,4 milhões e cerca de 100 servidores. Para o ano que vem, está previsto um orçamento de mais de R$ 11,2 milhões. Além das reestruturações que foram feitas e de fortalecer alguns projetos, como o resgate de parcerias com sindicatos, associações e conselhos comunitários, Walkíria Naves tem grandes desafios pela frente. Entre eles está a conclusão do levantamento rural e o plantio de um milhão de mudas de eucalipto, que inclui a doação da muda, a preparação do solo e a assistência técnica ao produtor rural. Esse projeto tem um prazo de quatro meses para ser implantado em função do período chuvoso. Serão 600 hectares de eucalipto plantados.

Raquel Mendes Carvalho - Secretária Municipal de Meio Ambiente

Outro projeto é incentivar a produção e a venda de frango caipira no município, com requisitos da defesa sanitária e características de segurança alimentar. Tem também o Programa de Inclusão Produtiva a partir de 2012, cujo objetivo é dar oportunidade ao filho do produtor de estudar e de se qualificar e o projeto de turismo rural. O objetivo é despertar no produtor rural o empreendedorismo.
Natural de Uberlândia, Raquel Mendes Carvalho formou-se em Arquitetura na Universidade Estadual de Londrina (PR) e especializou-se na PUC de Campinas em Gestão e Desenho Urbano. Em 1991, entrou para a prefeitura em um cargo comissionado, mas em 1995 prestou concurso para a área.
No currículo profissional há algumas experiências, como assessora de planejamento, meio ambiente e trânsito, na área de urbanismo. Raquel Mendes participou de alguns projetos importantes na cidade, como o corredor de ônibus da Avenida João Naves de Ávila, os projetos dos parques Siquierolli e Linear do Rio Uberabinha e ainda do replantio de árvores de grande porte, com aproveitamento de 78% das espécies transplantadas.  Com todas as suas responsabilidades frente à Secretaria, Raquel Mendes precisa se desdobrar para atender os clientes de seu escritório.
Raquel Mendes assumiu a gestão da secretaria há 2 anos e 3 meses e confessa que ficou surpresa com o convite. “Sempre me vi muito técnica, mas parceira, independente do cargo que exercia”, disse. Com um orçamento em 2011 de aproximadamente R$ 5 milhões e com previsão para 2012 de R$ 6,05 milhões, Raquel Mendes diz que muitos projetos são viabilizados por meio de parcerias. A secretaria tem 160 servidores que, segundo ela, formam uma equipe integrada.

“Sempre me vi muito técnica, mas parceira, independente do cargo que exercia”

Entre os projetos viabilizados no período de sua gestão, a secretária destaca a implantação da coleta seletiva e o trabalho realizado com os catadores de recicláveis. Outro desafio foi a gestão de pessoas. “Foi um grande aprendizado, mas a equipe tem me ajudado a crescer”, disse.
Empolgada com o trabalho e a profissão, Raquel Mendes, que é solteira, diz que sempre foi uma workaholic e, por isso, não teve muito tempo para se dedicar à vida pessoal. Ela mora com a mãe e conta que é ela que a tem ensinado a estabelecer medidas.
Para o próximo ano, Raquel Mendes tem como meta concluir a construção dos galpões da coleta seletiva e ainda terminar as obras do Parque Linear do Uberabinha e dos outros parques da cidade, além de dar andamento ao plano de arborização do município, que já foi aprovado pelo Codema.
“Os desafios no poder público são diferentes. As obras são maiores, com recursos vultosos e avaliações a longo prazo. Mas é um trabalho extremamente gratificante. É bom andar pela cidade e ver que um projeto meu resultou em uma solução para a população. Sei de cada árvore que plantei nesta cidade”, disse Raquel Mendes.