Saúde

Revista Mercado Edição 42 - maio 2011

Aleitamento materno pode reduzir obesidade na vida adulta

DA Redação

Menos da metade das mães brasileiras alimentam seus bebês exclusivamente com leite materno até os seis meses de idade; prática que pode reduzir o risco do excesso de peso na vida adulta em até 10%

Mesmo com todas as campanhas em prol da amamentação já realizadas no país, alertando que o leite materno é o alimento ideal para a criança, o último levantamento do Ministério da Saúde, de 2008, mostra que apenas 41% das mães fornecem exclusivamente esse alimento até os seis meses de idade. A amamentação exclusiva e combinada, até os dois anos de idade, com outros itens, reduz a incidência de sobrepeso na vida adulta, tanto pela correta formação dos hábitos alimentares quanto pelo estímulo à produção de hormônios.
A introdução de complementos antes da 17ª semana de vida dos bebês não é recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria nem pela Organização Mundial da Saúde. “Para dimensionar o impacto dessa prática, temos estudos que revelam que cada mês de retardo na introdução de novos alimentos para bebês entre dois e seis meses diminui de 6% a 10% o risco de excesso de peso na vida adulta”, ressaltou a professora de Pediatria da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e presidente do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Dra. Virgínia Resende S. Weffort. Essa afirmação foi feita durante o 68º Curso Nestlé de Atualização em Pediatria, no ExpoUnimed, em Curitiba (PR), onde foram debatidos, entre outros assuntos, as consequências da introdução precoce de alimentos complementares.
Sob o ponto de vista do desenvolvimento infantil, o aleitamento materno previne a obesidade em outras etapas da vida, na medida em que estimula, por exemplo, a produção dos hormônios grelina e leptina. Ambos regulam o efeito de saciedade, criando um padrão para essa sensação. Nas raras situações em que a amamentação é contra-indicada, a criança deve receber a fórmula infantil adequada, prescrita pelo médico.

“O aleitamento materno estimula, por exemplo, a produção dos hormônios grelina e leptina. Ambos regulam o efeito de saciedade, criando um padrão para essa sensação”

Com relação à formação dos hábitos alimentares, a partir dos seis meses, a oferta calórica do leite materno torna-se insuficiente para suprir o metabolismo da criança. O consumo ideal de energia deve ser obtido por meio de uma alimentação complementar adequada, associada à ingestão habitual de leite materno. Os novos alimentos introduzidos na dieta devem ser ricos em energia, proteínas, gorduras e micronutrientes (particularmente ferro, zinco, cálcio, vitamina A, vitamina C e folatos) de fácil consumo e boa aceitação.
As frutas raspadas ou amassadas, junto com a papa de carne com hortaliças e cereais ou tubérculos (arroz, mandioca, batata, macarrão, etc.) são os primeiros alimentos a serem introduzidos na dieta do bebê. Os sucos devem ser dados na quantidade máxima de 100 ml por dia. As papas devem ser oferecidas quando a família estiver reunida, na hora do almoço ou do jantar. Devem-se variar os ingredientes, porém é importante manter o equilíbrio, incluindo uma porção de proteína, duas ou três de cereal ou tubérculo, uma de leguminosa (feijão, soja, ervilha, etc.), uma de verduras e uma de óleo. A partir dos 9 meses, deve-se aumentar progressivamente a consistência dos alimentos até que, com 12 meses, a criança receba refeição semelhante à da família, tendo-se o cuidado de evitar temperos e condimentos.

Imunização

A Dra. Virgínia Weffort alerta ainda para resultados de dois ensaios clínicos e 18 outros estudos recentes, que sugerem que a amamentação exclusiva por seis meses tem várias vantagens em relação à amamentação por três a quatro meses, seguida de aleitamento misto, ou seja, com leite materno e leites tradicionais. Essas vantagens beneficiam tanto a mãe, que perde peso de maneira mais ágil, em razão do restabelecimento hormonal, quanto o recém-nascido.
As crianças que são amamentadas adoecem com menor frequência, necessitando de menos atendimentos médicos, hospitalizações e medicamentos.

A pediatra Virgínia Weffort ratifica que o leite materno “é praticamente uma vacina, justamente no momento em que a criança está desenvolvendo seu sistema imunológico”

De acordo com a pediatra, as propriedades do leite materno garantem a primeira imunização do bebê contra doenças infecciosas, pois conferem à criança elementos essenciais para o desenvolvimento de sua imunidade, além de propiciar o crescimento e nutrição adequados. “O leite materno é a melhor imunização que a mãe pode oferecer aos seus filhos. É praticamente uma vacina, justamente no momento em que a criança está desenvolvendo seu sistema imunológico. Amamentando, são bem menores os riscos de doenças como a diarreia e infecções respiratórias”, completa.
O bebê diminui consideravelmente o risco de infecção gastrointestinal, já que o leite materno é rico em prebióticos – componentes alimentares com propriedades imunológicas. Ele também estimula o crescimento da microflora não patogênica, que protege o intestino de bactérias.
O Curso de Atualização em Pediatria – criado em 1956, pelos médicos Álvaro Aguiar e Walter Telles, da Sociedade Brasileira de Pediatria; e pelo presidente da Nestlé à época, Oswaldo Balarin – é itinerante e, a cada ano, é realizado em uma região diferente do país. O curso já reuniu mais de 70 mil pediatras em suas edições anteriores. Em 2011, com o tema “90 anos de grandes emoções”, o Curso Nestlé celebra 90 anos em que a empresa oferece produtos que levem nutrição, saúde e bem-estar aos lares brasileiros, além do apoio aos profissionais que atuam nessas áreas.

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