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Revista Mercado Edição 34 - setembro 2010

Adolescência: riscos da atividade sexual precoce

Evaldo Pighini/Adriana Franco

Cada vez mais, e mais cedo, aumentam os casos de relações sexuais entre adolescentes. Os riscos são muitos, a começar pela possibilidade da gravidez precoce e pelo perigo do contágio por DSTs. Entre o jovens, falta informação, falta aconselhamento, falta o quê?

O início precoce da atividade sexual traz sérias consequências para a vida dos adolescentes, sendo as mais preocupantes aquelas relacionadas com Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e gravidez. Quanto à gravidez, por exemplo, dados mais recentes do Ministério da Saúde (MS), divulgados no primeiro semestre deste ano, mostram que 444.056 adolescentes com idade entre 10 e 19 anos foram submetidas a procedimentos de partos em 2009, um número ainda alto, mesmo tendo apresentado queda de 8,9% com relação a 2008. Apesar desse tipo de procedimento estar numa descendente, o número ainda é considerado alto. O MS, por meio da Coordenadora de Saúde do Adolescente e do Jovem, Thereza de Lamare, avalia que o sistema público está cada vez mais preparado para receber adolescentes e dar orientações sobre a saúde sexual. Mesmo assim, o planejamento familiar nessa faixa etária ainda enfrenta resistência por causa de preconceito. “Até hoje, alguns adultos têm dificuldade de compreender que o adolescente é um indivíduo sexuado e, em seu processo de crescimento, ele vai descobrir e ter relações afetivas”, destaca.
No ano passado, o MS investiu R$ 3,3 milhões em ações de educação sexual e no reforço à oferta de preservativos aos jovens brasileiros. Nos últimos dois anos, 871,2 milhões de camisinhas foram distribuídas para toda a população.
Apesar da noticiada queda no número de partos entre adolescentes e investimentos do governo, preocupações ainda existem e são justificáveis para ambos os sexos, incluindo aqui as DSTs, conforme alerta da educadora e mediadora de conflitos Suely Buriasco (www.suelyburiasco.com.br / twitter: @suelyburiasco). Ela explica que mesmo a gravidez indesejada, cujas consequências mais acentuadas atingem as meninas, leva os meninos envolvidos a sofrerem transtornos emocionais intensos. Já em relação às DSTs, tanto meninas como meninos estão igualmente sujeitos a elas. “A necessidade de orientação independe do sexo, o ideal é que seja tão abrangente que suscite reflexões não só para a própria atividade sexual, como para a do sexo oposto. Afinal, desenvolver respeito por si mesmo e pelo outro é uma das maiores pilastras para a construção de uma vida saudável”, justifica a educadora.
Buriasco admite muita preocupação com a iniciação precoce da sexualidade entre adolescentes, o que classifica de problema social, argumentando que esse tipo de comportamento acarreta sérias consequências tanto a curto como a longo prazo. A curto prazo pode terminar em gravidez indesejada e DSTs, mas as reais consequências serão sentidas a longo prazo, sendo representadas pelo ciclo natural rompido. “Quais as chances de que esses adolescentes venham a ter uma vida adulta equilibrada depois de enfrentarem situações como as citadas? Quantos abandonam os estudos ou são expulsos de seus lares? Quantas adolescentes se entregam a abortos que sempre de alguma forma lhes roubam a vida? Quantos se envolvem com drogas e demais desacertos?” são questionamentos levantados pela educadora. Assim, argumenta ela, a grande preocupação não se firma simplesmente no iniciar das atividades sexuais e sim na imaturidade com que essa atividade é iniciada e no quanto isso pode influenciar a vida dos adolescentes e da sociedade em geral.

Apesar de tudo, Suely Buriasco não acha que exista uma idade aconselhável para dar início às atividades sexuais. “Penso que o ideal é que o jovem tenha maturidade para iniciar sua atividade sexual com responsabilidade, para saber lidar com essa situação e, principalmente, com as suas implicações diretas”, observa. Diante disso, ela diz que o diálogo franco e afetivo entre pais e filhos é sempre a melhor medida. No caso da filha, conversa e atenção a companhias e atitudes são regra, não com atitude de fiscalizar, mas de educar. “Amiguinhos sua filha já tem vários; seja amigo dela, mas assuma seu papel de orientador para as responsabilidades que envolvem a prática sexual. Não procure fugir do que você está vendo; não assumir as necessidades de sua filha agora pode representar imenso transtorno depois. E acima de tudo seja para ela o ‘porto seguro’, a pessoa com quem ela pode contar nesse período tão inseguro da adolescência”, esclarece. Conduta igual serve para o filho.

Gravidez

A gravidez na adolescência tem causado muita preocupação. Apesar de o número de adolescentes grávidas ter caído nos últimos 10 anos segundo pesquisas divulgadas pelo IBGE, ainda existem dúvidas quanto à educação sexual para os adolescentes.
“Sem a maturidade física e emocional necessária para o enfrentamento das sérias consequências que envolvem o advento de um filho, a vida dos jovens sofre mudanças bruscas que, na maioria das vezes, foge de controle”, observa Buriasco. Uma das mudanças é a queda na qualidade de vida. Pesquisa realizada pelo Ambulatório de Planejamento Familiar da Unifesp apontou que as adolescentes grávidas têm menos oportunidades no mercado de trabalho e acabam abandonando os estudos por conta do bebê.
Além disso, existem os casos de adolescentes que, por causa da repressão familiar, fogem de casa ou se entregam nas mãos de pessoas inescrupulosas, provocando abortos criminosos que, inevitavelmente, produzem danos físicos e emocionais dificilmente superados. O fato foi destacado recentemente na novela “Passione”, da TV Globo. A personagem adolescente Fátima, vivida pela atriz Bianca Bin, engravidou depois de uma aventura com o personagem Danilo (Cauã Reymond). Ao praticar o aborto ilegal em condições inapropriadas, Fátima fica entre a vida e a morte no leito de um hospital.

DSTs

Outro problema que merece atenção quando está em discussão o sexo precoce entre adolescentes são as DSTs. Muitas vezes o jovem inicia sua vida sexual sem ter preocupação com a prevenção, já que nessa fase da vida existe a sensação de que nada ruim pode acontecer.
“Surge então a necessidade de maior diálogo entre pais e filhos e uma participação da escola nesse sentido”, observa Suely Buriasco.
Estudos apontam que o contexto familiar tem uma relação direta com a época em que se inicia a atividade sexual. Portanto, esse é um fator que deve ser ressaltado, pois o afastamento dos membros da família e a desestruturação familiar somam maior insegurança ao adolescente que, totalmente despreparado, dá vazão aos anseios sexuais determinados pelos estímulos característicos da puberdade. Seja porque estão separados, seja pelo corre-corre do dia a dia, alguns pais estão cada vez mais afastados de seus filhos que, sem terem para quem dar satisfações de sua rotina diária, só procuram os pais ou responsáveis quando o problema já se instalou. A falha de comunicação entre pais e filhos dá ao adolescente uma liberdade sem responsabilidade e é assim que muitos jovens iniciam suas vidas sexuais, sem o menor cuidado.

Mas por que é tão difícil para os pais conversar abertamente sobre sexualidade com seus filhos? Conhecer essas dificuldades é primordial para que os pais as vençam, estabelecendo maior intimidade e aproximação emocional com os adolescentes. Todos os esforços nesse sentido são essenciais, pois não se pode simplesmente fechar os olhos para a realidade que se impõe através dos fatos. Ouvir o adolescente com carinho e atenção, jamais demonstrar menosprezo por suas preocupações, mesmo que pareçam fúteis, observar seu comportamento e suas amizades, ou seja, percorrer com ele o máximo possível essa fase tão turbulenta que é a da adolescência é uma medida que pode, além de evitar muito sofrimento no futuro, promover ainda maior união e alegria familiar. “O discurso moralista quase sempre provoca enfado no adolescente, enquanto o diálogo afetuoso o orienta, estimula e compromete”, aconselha a educadora.

Se não há como evitar, melhor informar

Para muitas pessoas, o ideal mesmo é evitar ou retardar ao máximo o início da atividade sexual quando o jovem ainda está na fase da adolescência, atitudes mais providentes para diminuir os riscos de gravidez precoce ou a contaminação por DSTs. Em não sendo possível, torna-se necessário dar aos jovens a orientação necessária para que desfrutem a sexualidade com segurança e de forma saudável. Quanto mais informados, melhor será a vivência dessa sexualidade, sem culpas e com prevenção.
Conforme informações da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), estudo recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que 22% dos adolescentes iniciam a atividade sexual aos 15 anos de idade. Esse dado consta na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2009. O mesmo estudo apontou que a iniciação sexual precoce está associada ao não uso, ou uso inadequado de preservativos e suas consequências (gravidez precoce, DST/Aids).
Tal precocidade no início das relações sexuais dos adolescentes leva à seguinte reflexão: até que ponto pais e professores estão preparados para discutir questões relativas à sexualidade com os filhos e alunos?

“(…) até que ponto pais e professores estão preparados para discutir questões relativas à sexualidade com os filhos e alunos?”

Dados da PeNSE 2009 mostram que 30,5% dos estudantes já tiveram relação sexual alguma vez. A porcentagem do sexo masculino foi de 43,7% frente aos 18,7% do sexo feminino (para o conjunto das capitais e o Distrito Federal). Nas escolas públicas foram constatados mais alunos que já iniciaram a sua vida sexual (33,1%) comparados aos das escolas privadas (20,8%). Ratificando as diferenças entre o comportamento sexual de meninos e meninas, a Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DSTs e Aids (PCAP-2008) do Ministério da Saúde, divulgada em dezembro de 2009, detecta que a vida sexual dos meninos começa mais cedo – 36,9% tiveram relações sexuais antes dos 15 anos. Já entre as meninas, esse índice cai para menos da metade (17%).
Risco de contaminação

Quanto à prevalência de DSTs entre adolescentes não há informações, mas sabe-se que o número de casos notificados está bem aquém dos números reais. Na esfera social, o nível escolar inferior e o socioeconômico estão associados a essas doenças.
No que diz respeito à infecção pelo HIV, os dados que integram o relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), divulgado no final de 2009, mostram que a tendência de contaminação de mulheres e pessoas cada vez mais jovens pelo vírus é mundial. Crianças e adolescentes com menos de 15 anos somam 2,1 milhões de infectados. Em 2008, 430 mil pessoas nessa faixa etária foram contaminadas e o número de mortes de crianças e adolescentes em consequência da doença chegou a 280 mil. No Brasil, a grande preocupação do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde são as meninas entre 13 e 19 anos.

As adolescentes e jovens brasileiras são mais vulneráveis ao contágio da Aids que os meninos de igual faixa etária. Segundo o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, também divulgado no final de 2009, foram registrados mais casos da doença nas meninas entre 13 e 19 anos em relação aos meninos, desde 1998. Atualmente, a cada oito meninos infectados existem 10 casos de meninas. Antes, a proporção era de 10 mulheres para cada grupo de 15 homens.
O conveniente uso do preservativo

Segundo a PCAP-2008, a população brasileira possui um elevado índice de conhecimento sobre as formas de infecção e de prevenção da Aids – mais de 95% da população sabe que o uso do preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV. Esse é um dos índices mais elevados do mundo. Pesquisa realizada em 64 países indicou que 40% dos homens e 38% das mulheres de 15 a 24 anos têm conhecimento exato sobre como evitar a transmissão do HIV.
Entretanto, apesar do elevado conhecimento, depois da primeira relação sexual o uso da camisinha cai. Passa de 61% para 50% nas relações sexuais com parceiros casuais. Na avaliação da assessora técnica do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde, Nara Vieira, os jovens de hoje nasceram na era da Aids, por isso a relação com o preservativo é mais habitual. “O problema é que, quando se estabelece a confiança entre eles e o relacionamento fica estável, o uso do preservativo deixa de ser prioridade, em especial para as meninas”, diz. Para ela, é preciso incentivar a negociação do uso do preservativo entre os parceiros. “Muitos adolescentes ainda não estão dialogando de forma correta e nem pensando sobre a prevenção e suas implicações”, afirma.

“Atualmente, a cada oito meninos infectados pelo HIV existem dez casos de meninas. Antes, a proporção era de dez mulheres para cada grupo de 15 homens”

Para o psicólogo e professor do Projeto Afetivo Sexual, que atende alunos do 6º ano (antiga 5ª série) até o 3º ano no Distrito Federal, Erich Botelho, os jovens precisam entender que o coquetel para a Aids mudou o perfil da doença, mas que a cura ainda não existe.
Pesquisa feita pelo Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (NESA/Uerj) para identificar fatores de risco às DSTs na adolescência, mostrou que entre as justificativas para o não uso do preservativo estão: esquecimento, custos e desprazer na relação sexual.
Para os pesquisadores, um caminho eficaz para inserir o uso do preservativo talvez seja associar a camisinha ao prazer resultante da segurança que ela proporciona. Não usá-la significa correr riscos de engravidar sem querer e/ou sem poder, de ficar doente ou até de morrer. Ao mesmo tempo, dizem que não se pode abandonar outras medidas de redução do risco de contaminação por DST/Aids igualmente importantes, como: orientações sobre o início da vida sexual, fidelidade mútua, redução do número de parceiros e abandono de práticas sexuais de risco. Erich Botelho acredita que investir na capacitação de jovens formando adolescentes multiplicadores pode ser uma saída eficaz. Boa propaganda e mídia formatada por jovens também colaboram.

Gravidez precoce – caso de saúde pública

Outro ponto importante que envolve a questão da sexualidade na adolescência diz respeito à gravidez. A OMS considera a gravidez precoce um problema médico-social grave e de alto risco para a saúde das jovens.
Especialistas advertem que entre os principais riscos estão: maior incidência de partos prematuros, de recém-nascidos de baixo peso e de doenças venéreas. Além disso, a gravidez na adolescência envolve muito mais que problemas físicos, ela traz também problemas emocionais e sociais. A grande maioria das meninas não tem condições financeiras nem emocionais para assumir a maternidade e, por causa da repressão familiar, muitas fogem de casa. De acordo com a pesquisa “Juventudes Brasileiras”, realizada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a evasão escolar é uma das consequências imediatas da gravidez na adolescência: 25% das garotas que engravidam abandonam a escola.
A Pesquisa Nacional em Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS 1996) – realizada a cada dez anos – já mostrava um dado alarmante: 14% das adolescentes brasileiras tinham pelo menos um filho e as jovens mais pobres apresentavam fecundidade dez vezes maior. Entre as garotas grávidas atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no período de 1993 a 1998, houve aumento de 31% dos casos de meninas com idade entre dez e 14 anos. Nesse mesmo período, 50 mil adolescentes foram parar nos hospitais públicos devido a complicações por abortos clandestinos.

Sexo em casa e na escola ainda é tabu?

A adolescência é uma etapa da vida na qual a personalidade está em fase final de estruturação e a sexualidade se insere nesse processo, sobretudo como elemento determinante da identidade. Nos tempos modernos, o sexo tornou-se um dos assuntos mais discutidos, mesmo assim, muitos pais ainda enfrentam dificuldades para abordar o tema junto aos filhos. Segundo o psicólogo e professor Erich Botelho, a sexualidade representa  muito mais do que o ato sexual. Ela envolve a descoberta do corpo, dos sentidos e está presente desde o ato gestacional. “Todo o aprendizado que a criança tem passa pela descoberta do corpo e isso não pode ser tolhido”, diz. Para a socióloga e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Juventude, Identidade, Cultura e Cidadania, Mary Garcia Castro, sexualidade é ter prazer em toques, em estar junto, em descobrir o corpo e gostar dele como ele é, mesmo fora de padrões convencionais.

“Entre as garotas grávidas atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no período de 1993 a 1998, houve aumento de 31% dos casos de meninas com idade entre dez e 14 anos – (PNDS – 1996)”

Na hora de tirar as dúvidas sobre sexo e aspectos envolvidos pela sexualidade, inclusive a gravidez, o jovem precisa conversar com pessoas de confiança, com as quais se sinta à vontade. Pedagogos assinalam que o ideal seria os pais iniciarem essa conversa na infância, o que facilitaria uma nova abordagem do tema na adolescência. Especialistas apontam que essa temática deveria ser tratada, inclusive, em programas de televisão destinados às crianças.
Mas, na prática, não é isso o que ocorre. Os pais, muitas vezes, ficam constrangidos e acreditam que falar de sexo com os filhos é algo que pode levá-los a ter relações precocemente. Essa dificuldade em abordar a sexualidade impede que os jovens tenham uma fonte segura para esclarecer suas dúvidas. De acordo com Erich, os pais, por uma série de aspectos, sejam eles cognitivos, demanda pessoal ou valores familiares, ainda sentem dificuldade em tratar o assunto. Em sua opinião, quando isso ocorre é dever dos pais procurar a ajuda de um profissional da área. “As famílias de hoje estão mais preparadas, a Internet se tornou uma ferramenta à disposição de todos, a literatura está cada vez mais acessível. O que falta a alguns pais é aceitar que têm limitações”, completa.

Para ele, o diálogo deve se iniciar em casa e continuar na escola. “Mas é essencial que a família e a escola falem uma linguagem compatível e que o tema seja abordado com naturalidade”, sustenta. Erich aponta a necessidade de se incluir cada vez mais nas escolas projetos pedagógicos que contemplem essa temática. “Hoje o que se vê é a falta de preparo dos professores, muitos não são orientados quanto à maneira adequada de falar sobre sexo com os alunos. E pior, alguns não têm sequer a formação pedagógica necessária para abordar a sexualidade e o tema fica aquém do ideal”, ressalta.

“As famílias de hoje estão mais preparadas, a Internet se tornou uma ferramenta à disposição de todos, a literatura está cada vez mais acessível. O que falta a alguns pais é aceitar que têm limitações”

pesar de tudo, Suely Buriasco não acha que exista uma idade aconselhável para dar início às atividades sexuais. “Penso que o ideal é que o jovem tenha maturidade para iniciar sua atividade sexual com responsabilidade, para saber lidar com essa situação e, principalmente, com as suas implicações diretas”, observa. Diante disso, ela diz que o diálogo franco e afetivo entre pais e filhos é sempre a melhor medida. No caso da filha, conversa e atenção a companhias e atitudes são regra, não com atitude de fiscalizar, mas de educar. “Amiguinhos sua filha já tem vários; seja amigo dela, mas assuma seu papel de orientador para as responsabilidades que envolvem a prática sexual. Não procure fugir do que você está vendo; não assumir as necessidades de sua filha agora pode representar imenso transtorno depois. E acima de tudo seja para ela o ‘porto seguro’, a pessoa com quem ela pode contar nesse período tão inseguro da adolescência”, esclarece. Conduta igual serve para o filho.
Gravidz

A gravidez na adolescência tem causado muita preocupação. Apesar de o número de adolescentes grávidas ter caído nos últimos 10 anos segundo pesquisas divulgadas pelo IBGE, ainda existem dúvidas quanto à educação sexual para os adolescentes.
“Sem a maturidade física e emocional necessária para o enfrentamento das sérias consequências que envolvem o advento de um filho, a vida dos jovens sofre mudanças bruscas que, na maioria das vezes, foge de controle”, observa Buriasco. Uma das mudanças é a queda na qualidade de vida. Pesquisa realizada pelo Ambulatório de Planejamento Familiar da Unifesp apontou que as adolescentes grávidas têm menos oportunidades no mercado de trabalho e acabam abandonando os estudos por conta do bebê.